“O Brasil tem tudo para uma grande arrancada”, diz presidente da Usiminas

Aço

São Paulo – O engenheiro metalúrgico Sergio Leite assumiu a presidência da Usiminas em maio de 2016 com uma dura missão: livrar a empresa de fechar as portas.

Depois de dois anos desastrosos, a siderúrgica, que é um dos símbolos da indústria nacional, acumulava uma série de prejuízos que a impedia de realizar os investimentos necessários para voltar a crescer.

Leite instituiu um núcleo de trabalho, chamado de “Grupo dos 10”, que realizou completa varredura em todos os negócios, operações, estruturas e áreas de empresa. Com o diagnóstico em mãos, o presidente pôde definir prioridades e atacar os problemas de frente.

Resultado: a Usiminas acaba de alcançar o melhor desempenho trimestral dos últimos oito anos.

Executivo de opiniões sólidas e com 42 anos de serviços prestados à Usiminas, Leite, que também é presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, faz parte de um novo tipo de liderança que não se abstém de participar do debate político no país.

Nesta entrevista, o executivo diz por que acredita no projeto defendido pelo futuro governo Jair Bolsonaro, expõe as razões que o levaram a apostar na retomada da economia e analisa os desafios que o setor de aço enfrentará nos próximos anos.


Quais são os obstáculos que emperram o setor do aço no Brasil?

É preciso fazer o país voltar a crescer. Só assim vamos em frente. Temos duas alavancas no nosso negócio: o consumo das famílias e o investimento. O consumo é sinônimo de geração de empregos, e tivemos, nesse aspecto, queda brutal nos últimos anos.

Se você considerar a subocupação de mão de obra, existem mais de 25 milhões de brasileiros que poderiam estar no pleno emprego e não estão. Essa massa gera consumo. Gerando consumo, ela estimula a produção de bens para suprir a necessidade das pessoas.

Na vertente do investimento, o aço tem como principais alavancas a construção civil e a infraestrutura, ambas completamente paralisadas no Brasil. O governo precisa criar as condições para que essas áreas avancem.

De que forma o protecionismo imposto pelo presidente americano, Donald Trump, afeta o negócio do aço?

No setor do aço, somos a favor do livre comércio, do equilíbrio e da isonomia nas relações comerciais. Nós temos um cenário interno que depende obviamente do crescimento do Brasil.

Em termos de mercado externo, estamos entre os maiores exportadores de aço do mundo. Ou seja, somos protagonistas no negócio global do aço. O que nós desejamos no âmbito internacional é que haja equilíbrio nas relações, uma isonomia, e que a competição seja feita em condições de igualdade. Embora seja um setor altamente competitivo, não dispomos de nenhum subsídio.

O maior competidor da indústria brasileira do aço é a China, certo?

Sim, mas na China nós não competimos contra empresas, mas contra um Estado. Trata-se de um Estado que não é uma economia de mercado, que não remunera adequadamente sua mão de obra, que não remunera adequadamente o capital e em que a prática do subsídio está presente na indústria.

Ou seja, é uma concorrência desleal. Esse posicionamento da China gerou reação dos Estados Unidos. Por sua vez, a decisão protecionista do presidente Trump desencadeou uma série de reações na Europa, África e Ásia.

A única região que não aplicou medidas para fazer frente a essa decisão de Trump foi a América Latina. Por isso, eu digo que é preciso fazer uma reflexão: faz sentido o Brasil ser um país liberal nas suas relações comerciais num mundo notadamente protecionista?


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